As práticas agronômicas sustentáveis e as iniciativas que há década pontuam o dia a dia dos produtores de algodão na Bahia e no Brasil reverberaram para além do cerrado para ecoar em um dos mais emblemáticos espaços de São Paulo, o Parque Ibirapuera. Ná última quinta-feira (28), a presidente da Associação Baiana dos Produtores e Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, integrou o painel “Produção Regenerativa e Negócios de Impacto”, no Congresso Ambiental (Cambi 2026), no qual apresentou exemplos de como cotonicultura brasileira, líder global no suprimento de algodão, já adota muitos dos requisitos da agenda da Agricultura Regenerativa, antes mesmo dela ter este nome.
Para Alessandra, um dos principais aprendizados do debate foi perceber que a cotonicultura brasileira já acumula uma série de práticas e experiências que muitas vezes permanecem restritas ao ambiente produtivo. Em seu ponto de vista, o Brasil somente conseguiu se tornar o grande player da atualidade quando alicerçou a sua produção de algodão na busca pela produtividade, “que, necessariamente passa pela sustentabilidade”.
Segundo a presidente da Abapa, a discussão sobre produção regenerativa vai além de protocolos e certificações. “Quando falamos em sustentabilidade, estamos falando de futuro. Estamos falando de planejar a safra de hoje pensando na de amanhã, de cuidar do solo para que ele continue produtivo e resiliente diante dos desafios que temos pela frente”, afirmou. “O que mais me chamou atenção foi perceber o quanto o setor já faz. Nós levamos muitos exemplos para a discussão e isso reforça a importância de ocupar esses espaços de diálogo. Existe um trabalho muito consistente acontecendo dentro das propriedades, mas nem sempre ele chega ao conhecimento da sociedade”, afirmou.
Como exemplos apresentados pela presidente da Abapa no evento, estavam as técnicas de conservação do solo e de manejo integrado de pragas e doenças, além do uso racional da água, das ações de preservação da biodiversidade e de adaptação às mudanças climáticas. Alessandra discorreu ainda sobre o Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), padrão nacional de certificação socioambiental da cotonicultura, que, atualmente, certifica 79% do algodão produzido no Brasil. Na Bahia, onde a Abapa executa a iniciativa, o índice alcança 85% da área plantada.
Gerido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o ABR contempla critérios ligados à gestão ambiental, incluindo saúde do solo, manejo integrado de pragas, conservação da biodiversidade, adaptação e mitigação das mudanças climáticas e gestão dos recursos hídricos.
Outro aspecto destacado foi a convergência de propósitos entre diferentes cadeias produtivas. “Foi uma conversa muito positiva porque mostrou que todos estão buscando formas de reduzir impactos, fortalecer a economia circular e ampliar os benefícios para as pessoas e para o meio ambiente. Há muito trabalho sendo realizado e muitos resultados positivos surgindo a partir desse esforço”, concluiu.
O painel contou ainda com a participação do gerente de ESG da Nestlé, Luis Felipe Collaço; do CEO da Orfeu Cafés Especiais, Ricardo Madureira; e da head de Sustentabilidade da Danone, Taisa Costa. A mediação foi conduzida pelo diretor da Maron Ambiental, Ney Maron. Promovido pela Viex Americas, o encontro reuniu representantes do setor produtivo, da iniciativa privada, do poder público e de organizações da sociedade civil para discutir caminhos voltados à sustentabilidade e aos negócios de impacto.