transformação de áreas de solos arenosos em ambientes produtivos está entre os fatores que ajudaram a impulsionar a agricultura do Oeste da Bahia e fazem parte da trajetória de desenvolvimento da cotonicultura baiana. Essa relação foi destacada pela presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, durante a abertura do IV Simpósio Brasileiro de Solos Arenosos, realizada nesta terça-feira (1º), em Luís Eduardo Magalhães. Promovido pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, o evento acontece pela primeira vez no Nordeste e reúne pesquisadores, produtores, consultores e instituições para discutir o manejo e a construção da fertilidade em solos arenosos.
No Oeste baiano, os chamados solos arenosos construídos são áreas de cerrado com matriz predominantemente arenosa que passaram por processos contínuos de correção e manejo agronômico para alcançar condições de alta produtividade. O desenvolvimento desse conhecimento foi determinante para ampliar a capacidade produtiva da região, inclusive em áreas destinadas ao cultivo do algodão. A evolução envolveu pesquisa, correção da fertilidade, manejo da matéria orgânica, estratégias para retenção de água e adoção de tecnologias adequadas às características desses ambientes.
Para Alessandra, a experiência acumulada pelos produtores do Oeste mostra que as características naturais do solo não precisam determinar o limite produtivo de uma região. “Quando olhamos para a história da cotonicultura na região, vemos que produtividade não aconteceu por acaso. Houve muito investimento em pesquisa, tecnologia e conhecimento para entender as características dos nossos solos e desenvolver formas adequadas de manejá-los. A construção da fertilidade em áreas arenosas é parte importante dessa trajetória e ajudou a criar condições para que o algodão se consolidasse como uma das principais atividades agrícolas da região”, afirmou. O diretor executivo, Gustavo Prado, também participou do evento.
Com programação até quinta-feira (3), o simpósio abordará os principais desafios relacionados aos solos arenosos, incluindo retenção de água, compactação, fertilidade e aspectos físicos, químicos e biológicos. A agenda também inclui um dia de campo em uma propriedade do Oeste da Bahia, permitindo aos participantes conhecer estratégias de manejo aplicadas diretamente em ambiente produtivo.