Piúva, de dois anos de idade, passa a integrar o Parque Vida
Cerrado após longo processo de reabilitação
O Parque Vida Cerrado (PVC), primeiro centro de conservação da biodiversidade,
pesquisa e educação socioambiental do Oeste baiano, anuncia a chegada de
Piúva, uma fêmea de cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), a maior
espécie de cervídeo da América do Sul. Resgatada ainda filhote em meio aos
incêndios que devastaram o Pantanal em 2024, Piúva chega ao Parque como
símbolo dos impactos do fogo sobre a fauna silvestre e dos esforços de
conservação da espécie.
Nascida em vida livre, Piúva, cujo nome em Tupi significa ipê roxo, foi
encontrada gravemente chamuscada após um incêndio no Pantanal. No
momento do resgate, em agosto de 2024, sua mãe já havia morrido. Além das
queimaduras, especialmente na região das orelhas, o animal apresentou
problemas no trato respiratório em decorrência da inalação de material
particulado e da exposição às altas temperaturas.
Desde então, passou por um cuidadoso processo de reabilitação, em Cuiabá
(MT), com acompanhamento veterinário constante, até estar apta para a
transferência ao Parque Vida Cerrado. Aos dois anos de idade, Piúva concluiu o
período de quarentena com excelência nos check-ups de saúde.
Extremamente sensível, característica típica do cervo-do-pantanal, Piúva se
mostra dócil por ter sido tratada desde muito jovem. Atualmente, pesa cerca de
50 quilos — mas pode chegar a 80 quilos, peso médio de uma fêmea da espécie.
Machos podem ultrapassar 100 quilos.
“A história da Piúva representa, ao mesmo tempo, a gravidade dos impactos
dos incêndios florestais sobre a fauna e a importância de estruturas
preparadas para receber, reabilitar e oferecer condições adequadas a esses
animais. Cada etapa desse processo foi conduzida com muito critério técnico,sempre priorizando o bem-estar e a saúde do animal”
, afirma Gabrielle Rosa,
gerente do Parque Vida Cerrado.
A chegada de Piúva marca um momento importante para o Parque Vida Cerrado.
O cervo-do-pantanal foi a primeira espécie de grande porte a integrar o
Parque desde 2006, e nesse tempo o Parque se consolidou como uma das
principais instituições de conservação no Nordeste. O processo para viabilizar
sua vinda levou aproximadamente um ano de articulações entre ICMBio, AZAB,
Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos (NUPECCE), INEMA e SEMA/MT.
A busca por uma fêmea de cervo-do-pantanal foi minuciosa e levou mais de três
anos, já que o bem-sucedido programa de reprodução do Parque Vida Cerrado,
conseguiu enviar filhotes do macho Rick que vive no Parque Vida Cerrado para
todas as instituições próximas.
“Como objetivamos a reprodução, tivemos que
buscar uma fêmea que não tivesse o mesmo material genético do Rick”
, explicou
Gabrielle.
No Parque Vida Cerrado, Piúva recebe uma dieta controlada, composta por
brotos, capim nativo, ração específica e frutas, o que permite o acompanhamento
nutricional e o monitoramento da saúde. Como herbívoro, o cervo-do-pantanal
depende diretamente da integridade dos ecossistemas para sobreviver, o que
reforça a importância da conservação dos biomas brasileiros.
“O cervo-do-pantanal é uma espécie extremamente sensível às alterações
ambientais. Receber a Piúva no Parque Vida Cerrado reforça nosso papel na
conservação do Cerrado e na sensibilização da sociedade sobre os efeitos das
queimadas e da perda de habitat”
, completa Gabrielle Rosa.
Classificado como espécie vulnerável, o cervo-do-pantanal sofre com a perda
de habitat, a fragmentação dos biomas e os incêndios florestais cada vez mais
frequentes. A chegada de Piúva ao Parque Vida Cerrado fortalece a atuação da
instituição como espaço estratégico para conservação, pesquisa científica e
educação ambiental.
Sobre o Parque Vida Cerrado
Fundado em 2006 pela Galvani Fertilizantes e mantido pelo Instituto Lina Galvani
e por parceiros apoiadores, o Parque Vida Cerrado é o primeiro centro de
conservação da biodiversidade, pesquisa e educação socioambiental do Oeste
baiano. Localizado entre os municípios de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães,
mantém um criadouro científico para fins de conservação de animais silvestres,
um Centro de Excelência em Restauração com ampla expertise no bioma Cerrado
e um núcleo para realização de projetos e atividades socioambientais. Em 19 anosde atuação, envolveu mais de 30 mil pessoas em suas ações, distribuiu milhares
de mudas para reflorestamento urbano e rural, capacitou centenas de coletores
de sementes nos assentamentos e reproduziu, com sucesso, mais de 40 animais
silvestres.
Sobre a Galvani
A Galvani é uma empresa 100% brasileira com presença consolidada no setor há
mais de 50 anos, operando em mineração, beneficiamento, industrialização e
distribuição de fertilizantes fosfatados. Líder na região agrícola do Matopiba
(Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a Galvani opera com um complexo industrial
em Luís Eduardo Magalhães e uma unidade de mineração em Campo Alegre de
Lourdes, além de contar com novos projetos na Bahia, visando expandir suas
operações.