_Planejamento financeiro, gestão de riscos e uso consciente do crédito ganham protagonismo no agro do Oeste da Bahia e Sudeste do Tocantins, aponta especialista do Sicredi_
Depois de um período marcado por forte volatilidade — com impactos da pandemia, oscilações de preços de insumos, eventos climáticos extremos e juros elevados — o produtor rural brasileiro chega a 2026 mais cauteloso e, sobretudo, mais estratégico. A avaliação é de Henrique Sobreira, assessor de investimentos do Sicredi, que acompanha de perto a realidade do campo no Oeste da Bahia e Sudeste do Tocantins, regiões que concentram importante parcela da produção de grãos, fibras e proteína animal do país.
Segundo ele, o perfil do produtor mudou nos últimos anos. “Depois de atravessar anos de muita volatilidade com pandemia, choques de custos, clima adverso e juros elevados, o produtor amadureceu a forma de tomar decisões. Hoje vemos menos impulso e mais planejamento”, afirma. “Há uma atenção maior à gestão financeira, ao custo do capital e à necessidade de proteger margem, e não apenas buscar produtividade a qualquer custo.”
O cenário econômico para 2026 ainda impõe desafios. A combinação de custos de produção pressionados, mercado internacional instável e taxa de juros em patamares elevados exige maior preparo na tomada de decisão. Para Sobreira, erros de gestão financeira continuam sendo um dos principais gargalos do setor. Entre os mais comuns, ele destaca a mistura entre finanças pessoais e da propriedade, a falta de controle do fluxo de caixa e a tomada de crédito sem avaliar o impacto dos juros no longo prazo.
“O produtor precisa tratar a propriedade como uma empresa. Ter orçamento, metas, acompanhamento periódico e apoio técnico. Planejamento não é engessar decisões, é ganhar previsibilidade”, explica Sobreira.
*Organização financeira como vantagem competitiva*
Em um ambiente de margens mais apertadas, a organização financeira passou a ser um diferencial competitivo no campo. De acordo com o assessor do Sicredi, produtores que conhecem seus números conseguem atravessar momentos difíceis com mais segurança e até transformar cenários desafiadores em oportunidades.
“Quem se organiza melhor financeiramente consegue decidir com calma, aproveitar oportunidades de compra, investir quando o mercado recua e atravessar períodos difíceis sem comprometer o negócio. Organização financeira vira vantagem competitiva”, destaca.
Nesse contexto, o papel das cooperativas financeiras ganha relevância. Além da oferta de crédito, o Sicredi tem atuado na orientação do produtor rural, com simulações de cenários de custos e preços, estruturação de operações de crédito de forma equilibrada e apoio ao planejamento do fluxo de caixa.
*Juros altos exigem estratégia no crédito e nos investimentos*
Com os juros ainda em níveis elevados, a tomada de crédito passa a ser uma decisão estratégica. “O produtor precisa entender que juros não são apenas um custo, mas uma variável estratégica. É fundamental comparar taxas, avaliar prazo, carência e impacto no fluxo de caixa. Crédito bem usado impulsiona o negócio; mal estruturado, compromete resultado por vários ciclos”, alerta Sobreira.
Por outro lado, o cenário também cria oportunidades para quem investe fora da porteira. A renda fixa, por exemplo, tende a oferecer retornos mais atrativos em períodos de juros altos, o que pode ajudar na preservação de patrimônio e no equilíbrio financeiro do produtor.
“Em um ambiente mais volátil, investir com critério e planejamento é essencial. Nem todo investimento precisa ser grande ou imediato. O importante é alinhar a decisão com a capacidade de pagamento, o cenário de mercado e a visão de longo prazo”, pontua Henrique.
*Desenvolvimento regional em foco*
Para o Sicredi, o apoio ao produtor rural vai além da relação financeira. “A cooperativa tem um papel fundamental porque está próxima do produtor. Mais do que oferecer crédito, ela orienta, acompanha e constrói soluções junto com o associado”, afirma Henrique Sobreira. “Nosso objetivo é fortalecer o produtor de forma sustentável, equilibrando crescimento, segurança financeira e desenvolvimento regional, especialmente em regiões estratégicas como o Oeste da Bahia e o Sudeste do Tocantins.”
Assessoria de Imprensa CACAU Comunicação