A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) participou de missão institucional à China, realizada entre os dias 25 de janeiro e 2 de fevereiro, a convite da Wuhan Financial Holdings (WFH), plataforma estratégica chinesa com atuação nas áreas de investimentos, financiamento estruturado, leasing internacional, logística, infraestrutura, comércio exterior e integração industrial. A missão teve como objetivo ampliar as relações comerciais e fortalecer o posicionamento do agronegócio baiano no mercado internacional, especialmente junto ao principal parceiro comercial do Brasil.
A agenda foi coordenada, no Brasil, por João Rodrigues, empresário do segmento de energia renovável, e, na China, pela Wuhan Financial Holdings (WFH), sob liderança do Presidente da instituição, Ding Zheng, tendo as reuniões estratégicas sido acompanhadas pelo Diretor para a América Latina, John Xu.
A comitiva da Aiba foi composta pelo presidente Moisés Schmidt, pelo segundo vice-presidente Seiji Mizote e pela diretora financeira Cristina Gross. Também integraram a delegação brasileira os empresários David John Weihs (Carroll) e Dirceu Di Domenico, além de outros representantes do setor.

Durante a missão, foram realizadas visitas técnicas e reuniões com empresas e instituições de destaque nos setores de logística de grãos, veículos comerciais, máquinas agrícolas, energia renovável (solar e sistemas de armazenamento de energia – BESS), drones e financiamento estruturado. Entre os principais grupos visitados estiveram fabricantes ligados aos setores de transporte, equipamentos agrícolas e armazenamento de energia, além de instituições financeiras com atuação em leasing e financiamento internacional apoiado por seguro de crédito à exportação.
A China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil e o principal comprador da soja brasileira, além de um dos principais destinos do algodão nacional. Para o presidente Moisés Schmidt, o aprofundamento das relações institucionais representa uma oportunidade estratégica para o fortalecimento do agronegócio baiano.
“A China é nosso principal parceiro comercial, e isso se reflete diretamente no agronegócio. Conhecer o desenvolvimento industrial e tecnológico do país nos permite compreender o crescimento constante da demanda por matérias-primas agrícolas como soja, milho, trigo, algodão e frutas. Essa aproximação reforça a importância da relação entre China, Brasil e a agricultura brasileira”, afirmou Moisés.
Abertura de novos mercados e fortalecimento do Cerrado Baiano
Reconhecida mundialmente por sua capacidade tecnológica e industrial, a China se apresenta como parceira estratégica não apenas na aquisição de commodities, mas também na oferta de soluções em tecnologia, mobilidade, energia renovável, armazenamento de energia, mecanização agrícola e financiamento estruturado.
Para a diretora financeira da Aiba, Cristina Gross, a missão representou um avanço significativo na consolidação de oportunidades institucionais e comerciais para os produtores do Cerrado baiano. “A missão à China abriu portas para novos mercados e parcerias com o principal comprador da soja brasileira. Tivemos a oportunidade de conhecer indústrias de tecnologia, energia e agricultura, além de instituições financeiras que oferecem alternativas de financiamento com condições viáveis ao produtor brasileiro. É o início de uma conexão direta entre o Cerrado baiano e instituições estratégicas da China”, destacou Cristina.
China: mercado estratégico para o Brasil
Com aproximadamente 9,6 milhões de km² e população superior a 1,4 bilhão de habitantes, a China é o maior país da Ásia Oriental e um dos principais motores do comércio global. Segundo dados de Inteligência de Mercado, o país ocupa a quarta posição mundial na produção de soja, com aproximadamente 20 milhões de toneladas anuais, o equivalente a cerca de 5% da produção global, atrás de Brasil, Estados Unidos e Argentina. Ainda assim, é o maior importador mundial da oleaginosa, sendo o Brasil responsável por cerca de 70% das importações chinesas.
No milho, a China é a segunda maior produtora mundial, atrás apenas dos Estados Unidos, enquanto o Brasil ocupa a terceira posição global. Já no algodão, embora a China esteja entre os maiores produtores, o Brasil consolidou-se como o maior exportador mundial da fibra, tendo o mercado chinês como um de seus principais destinos.
Próximos passos
Como desdobramento da missão, está prevista a visita de representantes da Wuhan Financial Holdings, de instituições financeiras e de empresas industriais chinesas ao Cerrado da Bahia. A agenda deverá incluir reuniões técnicas, visitas a propriedades rurais e análise de projetos nas áreas de irrigação, mecanização agrícola, mobilidade elétrica, energia renovável e armazenamento de energia.
O objetivo será realizar estudos de viabilidade e estruturar possíveis parcerias comerciais, tecnológicas e financeiras com produtores e empresas da região, consolidando um modelo de cooperação direta entre o agronegócio do Oeste da Bahia e instituições estratégicas da China.
Ascom Aiba