O que começou como uma simlpes investigação sobre fraudes em carteiras de motorista em Barreiras, Oeste da Bahia, ganhou contornos políticos explosivos com o surgimento do nome da ex-deputada Jusmari Oliveira (PSD).
Uma decisão judicial proferida pelo juiz Gabriel de Moraes Gomes, da 1ª Vara Criminal de Barreiras, determinou o declínio de competência para o Tribunal de Justiça da Bahia após o Ministério Público apresentar elementos concretos apontando para o envolvimento de Jusmari Oliveira no esquema criminoso que corroía a 10ª CIRETRAN de Barreiras.
O esquema: um “balcão de negócios” no Detran
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado revelou que o grupo investigado operava de forma estruturada dentro da 10ª Ciretran de Barreiras, com um empresário local exercendo grande controle sobre o funcionamento do órgão, transformando-o em um verdadeiro “balcão de negócios”.
As fraudes incluíam aprovações em exames práticos de direção, alterações em provas teóricas aplicadas por computador e interferências em análises técnicas de veículos.
> _*”Jusmari mandou aqui pra mim, pra mim ver contigo aí ó. Disse que é uma senhora, acho que é o filho dela, que pegou na blitz, tinha tomado uma, aí deu retenção aí na carteira.”*_
Nome de Jusmari muda o curso da investigação
Meses depois da operação inicial, o MP apresentou novos documentos aos autos — e foi aí que o nome de Jusmari Oliveira emergiu de forma contundente. Com base na análise de dados telemáticos extraídos de investigados, o GAECO identificou diálogos comprometedores.
Em 20 de janeiro de 2025, o investigado Sandro Santana de Paula encaminhou ao comparsa identificado como Eder um arquivo com uma CNH eletrônica e, na sequência, um áudio. Na gravação, transcrita nos autos, Sandro diz: “Jusmari mandou aqui pra mim, pra mim ver contigo aí ó. Disse que é uma senhora, acho que é o filho dela, que pegou na blitz, tinha tomado uma, aí deu retenção aí na carteira.”
Em outras palavras: a investigação aponta que uma servidora pública de alto escalão teria acionado integrantes do grupo criminoso para remover ilegalmente a retenção administrativa de uma CNH nos sistemas eletrônicos do Detran — aparentemente em benefício de um familiar flagrado em blitz de alcoolemia.
Novos diálogos reforçam a suspeita
Menos de um mês depois, em 17 de fevereiro de 2025, Sandro teria encaminhado a Eder uma captura de tela de uma conversa com alguém identificado como “Jusmari”, solicitando um novo favor: desta vez, a remoção de suspensão de CNH de um genro flagrado em blitz.
Em resposta, Sandro chegou a enviar três CNHs distintas, comentando com ironia: “Político tem paz não” e “Deus é mais”. Eder respondeu: “Sem futuro kkkk” — sugerindo que os investigados viam com naturalidade o atendimento de pedidos de figuras políticas.
O que vem a seguir
Com a transferência dos autos, caberá ao TJBA aprofundar a investigação sobre o papel de Jusmari Oliveira no esquema. A operação ainda está em andamento, e o MP-BA busca identificar todos os envolvidos. Jusmari não se pronunciou sobre o caso até o momento da publicação desta matéria.
Fonte: Veja Politica