Faria Lima exalta perfil de rigor fiscal, mas não contabiliza relevância dos investimentos públicos
O encerramento do primeiro turno das Eleições 2026 provocou reações imediatas no mercado financeiro. A liderança numérica do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou uma disparada no índice Ibovespa, acompanhada pela queda do dólar e pelo recuo nos juros futuros.
A explicação para essa movimentação rápida tem base na forma como os investidores tentam antecipar o horizonte de longo prazo.
“O mercado financeiro tenta atuar focado nos fundamentos econômicos, sobretudo naqueles que sugerem perspectivas de longo prazo, como a trajetória dos juros, a inflação e o equilíbrio fiscal”, explica o economista e professor Antônio Carvalho, em entrevista ao bahia.ba.
Para o especialista, a prioridade do mercado está no equilíbrio entre receitas e despesas do governo e nas perspectivas de retorno sobre os investimentos, enxergando a economia como motor central do desenvolvimento.
Reação do mercado
Essa sensibilidade dos investidores ao resultado do pleito reflete o histórico dosindicadores econômicos das últimas gestões. Embora o governo Lula tenha mantido a cotação do câmbio próxima de R$ 5,00 nos últimos anos, as taxas de juros permaneceram em patamares elevados.
Mesmo após a aprovação do arcabouço fiscal, o aumento da arrecadação e a troca no comando do Banco Central, com Gabriel Galípolo assumindo a vaga de Roberto Campos Neto por indicação de Lula, a Selic se manteve alta, registrando uma média de 12,5% no período de Lula 3.
A reação positiva do mercado com Flávio Bolsonaro à frente revela a expectativa de um modelo econômico focado no controle de despesas públicas. A memória da gestão de Jair Bolsonaro, conduzida pelo ex-ministro Paulo Guedes, traz como referência a redução da máquina pública e o momento em que a taxa Selic atingiu a mínima de 2,0% ao ano, sem levar em conta a sensação e o poder de compra da população.
“Considerando o histórico de redução dos gastos públicos, corte de ministérios e órgãos públicos, o mercado entende que Flávio apresenta grande probabilidade de adotar uma política semelhante e garantir os aspectos que agradam os investidores”, avalia Antônio Carvalho.
O professor contrasta esse cenário com a gestão atual do PT, associada pelo mercado ao déficit fiscal, aumento de impostos e recriação de estruturas estatais. Os números, no entanto, não refletem os ganhos populares com os investimentos promovidos pelo PT.
Variação do dólar
Ao comentar a variação do dólar e o otimismo da Bolsa, o economista destaca que, embora exista um componente de euforia e interesse político no curto prazo, o movimento sinaliza um ganho real de confiança. “Na economia, as perspectivas futuras definem as ações do presente. Uma expectativa de controle, de equilíbrio e de melhoria do ambiente de negócios é sempre positiva para o câmbio e para as ações”, pontua Carvalho.
Essa mudança nos painéis da Bolsa de Valores tem impacto direto na vida diária da população. “Juros altos representam dinheiro mais caro, seja para quem deseja investir, financiar a casa própria, veículos e eletrodomésticos, ou no rotativo do cartão de crédito”, alerta o professor.
Ele lembra que a queda do câmbio barateia insumos agrícolas e máquinas importadas, o que alivia o custo da produção e se reflete em preços menores para os alimentos e combustíveis nas prateleiras dos supermercados.
Inclusão social
Apesar da reação inicial das urnas, a disputa de segundo turno segue aberta e sujeita a oscilações no mercado. Antônio Carvalho ressalta que a economia não é o único fator que define o voto, lembrando o forte apelo que os discursos de inclusão social exercem sobre uma fatia significativa do eleitorado, o que mantém a candidatura governista competitiva.
Até a votação final, as oscilações da Bolsa e do câmbio continuarão acompanhando o ritmo e os números divulgados pelas pesquisas eleitorais.
Fonte: Bahia.ba